segunda-feira, 5 de março de 2007

Mensonges

Apresento-lhes algumas mentiras que permeam a minha vida:

a) Não ligo para o que pensam de mim.

Uma pessoa que acorda 1h15min antes da hora de sair para o trabalho, para poder maquiar-se e escolher o traje ideal não pode afirmar que não se importa para o que os outros pensam de si.

São muitos os reais gastos com revistas de moda: Vogue, Nylon, Elle, L'Officiel. Non, c'est ne pas facile manter-se atualizada, compor looks e reiventar-se dia a dia, criando novas identidades. Identidades às quais jamais deixo de aplicar o blush, de que depende minha aparente saúde.

Sem rímel, delineador ou curvex, não mais consigo me enxergar.

b) Não me importo que os outros pensem que sou superficial.

Mentira polpuda, pois cá estou eu, escrevendo o presente texto , com o intuito de escavar esta minha superficialidade. Uma tentativa - talvez embaraçosa, talvez vã - de parecer algo...interessante.

c) É uma benção ter cabelos lisos.

Apesar de gostar dos meus cabelos muito lisos, a verdade é que sinto um pouco de inveja das mulheres de cabelos encaracolados - ou ondulados - dotadas de uma beleza, por assim dizer, natural. Sem cosméticos, apenas com um brilho labial.

Invejo nessas mulheres a leveza, a singeleza de sua composição visual - sempre com itens hippongos, batas, longas saias estampadas - e a sensualidade que lhes é inerente.

Não fui agraciada com este chame de Gabriela Cravo e Canela. Tampouco em mim o cultivo.

Primo pelo estilo audrey-hepburnesque, que envolve vestidos pretos, pérolas e - sim - cabelos lisos. Dentre outros requintes.

Penso que este estilo "liso" agrada, em verdade, a ninguém mais que os fashionistas. Os demais preferem aquela mulher selvagem, de madeixas volumosas.

Por isso, nem sempre é uma benção ter cabelos lisos. No entanto, tão cedo não hei de abandonar meus finalizadores, cremes para pentear sem enxagüe, o secador e a prancha.

A inveja me impele a deixar mais e mais lisas minhas madeixas. Como um sinal de revolta.

Um comentário:

Mar lá disse...

Sentindo de novo o gosto bom de ler Theodora.